“Performance”

No âmbito da programação da Sala-estúdio Latino (Teatro Sá da Bandeira) assumida pelo colectivo Variação da Cultura, as Terças-feiras do mês de Abril, serão dedicadas à performance. Em cada uma das noites de 6, 13, 20 e 27 de Abril, pelas 21h30, serão apresentadas duas performances, seguidas de uma conversa entre o público e os artistas.

Este ciclo propõe-se assim colocar o ver e o ser visto perante uma linguagem cuja definição fica à margem de definições estanques. A experimentação e a exposição são matérias tão sensíveis quanto reveladoras neste campo da arte, pelo que não faltarão pontas por onde pegar para uma boa conversa e para voltar uma terça por semana.

A programação, conta com participações tanto de artistas já com experiência como de outros em estreia, com formações entre a dança, as artes plásticas e o teatro.

A coordenação do Ciclo está a cargo de Vera Santos e António Júlio (criadores e intérpretes) que assumem esta tarefa como um prolongamento do questionamento que fazem sobre as artes do palco nas suas actividades profissionais e por considerarem oportuna a realização desta iniciativa no contexto desta programação.

www.umatercaporsemana.blogspot.com

*Dia 6: Àjax Entretido de Mariana Amorim e José Roseira

O Homem de Choque de Igor Gandra com texto de Regina Guimarães

*Dia 13: 200 gr de António Júlio

Pelo nome das coisas de Vera Santos com cenografia de Hélia Aluai

*Dia 20: Simon 06 07 08 09 de João Costa

(sem título) de Rita Osório

*Dia 27: La ferme! (solilóquio de um insone) de Loreto Martinez Troncoso

Recomeçar do princípio de Filipe Antunes Moreira

Classificação etária:> 16

Bilhetes: 5€ (20€ para pré-compra de todas as sessões, com oferta do programa)

*Dia 6

Ájax Entretido

Mariana Amorim

Divertimento Coreográfico por José Roseira e Mariana Amorim

Agradecimentos: Ricardo Preto e Ricardo Alves

“Arrancaram ambos com as mãos as lanças compridas e atiraram-se um ao outro como carnívoros leões ou selvagens javalis, cuja força não é pouca. Com a lança lhe desferiu o Priâmida um golpe no escudo, porém não penetrou o bronze, pois virara-se a ponta. Mas Ájax com um salto atingiu-lhe o escudo; a lança penetrou completamente, atirando-o para trás, contuso: esfolou-lhe o pescoço e fez brotar o negro sangue.”

(Homero, Ilíada, Canto VII, 255-262, Tradução de Frederico Lourenço)

O Homem de Choque

Igor Gandra

Criação e Interpretação: Igor Gandra

Texto: Regina Guimarães

Leitura falada e cantada de um excerto do texto do espectáculo Estufa Fria [2008] do Teatro de Ferro e da Comédias do Minho.

“O meu coração é uma pista. Uma pista de carrinhos de choque. Ele é mais uma corrida mais uma viagem. Mais uma corrida, mais uma vertigem. Dá-se bem com solavancos. Dá-se bem com travagens e acelerações. Precisa de andar aos encontrões. O meu coração, colado ao chão, está lançado numa corrida desenfreada. O meu coração corre em busca de outros corações. E ele é PIM PAM PUM ZÁS CATRAPÁS e PUMBA e PIMBA. Sempre colado ao chão. O meu coração não voa. Ele rasteja. Mas rasteja depressa.”


*Dia 13

200 gr.

Concepção e Interpretação: António Júlio

200gr. é uma forma de exibição não assumida.

Se numa embalagem não existisse senão a designação de peso, nada ficaríamos a saber acerca da natureza do seu conteúdo. Esperaríamos pela sua revelação. Ansiaríamos por abrir a embalagem e conhecer o produto. E poderia ser que o produto do interior fosse outra embalagem com a designação de peso, que nos instigasse a continuar.

200gr. apresenta uma verdade escondida. Muitas vezes revelada, muitas vezes distorcida. É um lugar de existência.

Pelo nome das coisas

Criação e interpretação: Vera Santos

Cenografia: Hélia Alua

Manifesto é uma declaração pública em que se expõem os motivos que levaram à prática de certos actos que interessam a uma colectividade.

Dar o corpo ao manifesto é arriscar-se, expor-se.

Ter opinião não é necessariamente estar a favor ou contra! É ter pensamento.

Performance é actuação.


*Dia 20

Simon 06.07.08.09

SIMON 2

Concepção, direcção artística, fotografia e interpretação: João Costa

Simon é um percurso interior de um homem que se questiona enquanto espécie. Ele deseja ser outra coisa. Deseja ser uma "coisa". Qualquer "coisa". Menos ser humano.

Nós estamos perante ele em escuta, em transmutação e acompanhamos a massa sonora que é o seu corpo nesta espécie de torpor que é também causa de morte.

Simon é um estranho diálogo entre um e a sua ideia de imperfeição, entre um e o seu próprio estranho.

Simon é a terceira e última personagem do ciclo iniciado em 2003 com a Lilly e mais tarde, em 2005, com o Peter.


(sem título)

Criação e interpretação: Rita Osório


A performance que pretendo apresentar, neste ciclo da Variação da Cultura, surge da necessidade de partilha das minhas experiências vivenciais, numa procura interna daquilo que me faz sentir bem. São contadas histórias através da palavra, dança, e outras formas de expressão que tenho vindo a explorar. A conclusão desta pesquisa, que será apresentada na Performance, estará sempre ligada à concretização pessoal, e ao prazer pela minha simples existência como ser humano.


*Dia 27

La ferme!1 (solilóquio de um insone)

Loreto Martinez Troncoso

Criação e interpretação: Loreto Martinez Troncoso

1Expressão francesa para Cala a boca!

…parti da "figura" do insone. Alguém que (durante as suas noites de insónia) apalpa, gagueja… entre ficar lá ou mover-se, sair (- pelo menos - da sua cama). Quer mover-se, sair, mas o seu corpo fica imóvel. Tem uma actividade mental entrecortada, às vezes sublevada, exagerada (penso na "arte do exagero" do Thomas Bernhard), às vezes acalmo, em suspensão. Já não sabe que horas são e quer descansar, ao mesmo tempo que já não sente a sua fatiga e conta o tempo a passar.

Recomeçar do Princípio

filipe moreira

Criação: Filipe Moreira

Interpretação: Filipe Antunes Moreira, Rita Lagarto

Som: Bruno Couto

Figurinos: Lola Sousa


Este é um breve espectáculo de teatro físico, com dois corpos. O projecto partiu da frase “Recomeçar do Princípio”, da coreógrafa Pina Bausch. Duas personagens, Adão e Eva, através de uma série de movimentos e de situações, exploram o quotidiano, a rotina e os estereótipos que estão bem presentes no percurso de vida do Homem e que o condicionam. Estas acções cruzam-se constantemente com uma natureza sempre presente, frequentemente esquecida e dominada.

Só para ocupar espaço
Só para ocupar espaço